Portugal, o país das uvas autóctones

Portugal é um dos menores países da Europa, mas sua tradição e história é gigante; quando o assunto é vinho, então, poucos se comparam. O país dos grandes navegadores e poetas tem o mais antigo sistema de apelação do mundo – a região do Douro é demarcada desde o século XVIII; é o lugar de origem de um dos vinhos mais conhecidos em todo o planeta – o famosos vinho do Porto; e possui nada menos que 285 castas autóctones – uma diversidade de dar inveja a qualquer outra nação vitivinicultora.

Os vinhos portugueses são distintos e únicos, pois representam a qualidade e personalidade das uvas com as quais são produzidos. Touriga Nacional, Baga, Castelão, Touriga Franca e Trincadeira são algumas das tintas mais importantes do país. Entre as brancas, Alvarinho, Loureiro, Arinto, Encruzado, Bical, Fernão Pires, Moscatel e Malvasia Fina são muito apreciadas. Todas elas dão vinhos de corte ou varietais que são verdadeiras maravilhas do Velho Mundo.

Estima-se que em Portugal são cultivadas, entre nativas e estrangeiras,
166 castas tintas e 152 castas brancas.

Uma nota interessante em relação as castas nativas portuguesas diz respeito aos nomes diversos que elas recebem, que variam de acordo com a região onde são cultivadas. A seguir, informações sobre as uvas nativas portuguesas principais, regiões onde são cultivas e características dos seus vinhos:

Baga – também conhecida como Tinta da Bairrada ou ainda Poeirinho é a rainha da região da Bairrada, onde é cultivada quase que exclusivamente. Uma uva tinta que produz vinhos intensos, com taninos duros que são amansados em um trabalho árduo de maturação na videira e na adega. Essa casta dá bebidas de cor profunda e seus aromas concentrados.

 

 

 Castelão – também conhecida como Tinta Periquita ou Camarate, se dá bem com climas quentes e solos secos. Sabor concentrado, aromas de frutas vermelhas e bom envelhecimentos são suas características principais. É cultivada principalmente nas regiões do Algarve e Setúbal. E seus vinhos são normalmente varietais, com bom frescor e acidez.

 

 

Tinta Roriz – também conhecida como Aragonez ou Tempranillo, é uma das mais cultivadas e apreciadas em Portugal, e em toda a Península Ibérica. Facilmente adaptável a diversos climas e solos, origina vinhos bastante alcoólicos e baixa acidez. É cultivada em algumas das principais regiões vinícolas do país, como Trás-os-Montes, Douro, Dão e Alentejo.

 

 

Touriga Nacional – também conhecida como Preto Mortágua, é a uva nobre portuguesa por excelência, a rainha das castas de Portugal, cultivada em quase todo o país, produz o mundialmente famoso Vinho do porto. Seu aroma é inconfundível, dá um caráter frutado e taninos finos aos seus vinhos. A região do Dão é o lugar onde a Touriga se é cultivada com maior desenvoltura.

 

Fernão Pires – também conhecida como Maria Gomes, é uma das brancas de maior prestígio e a mais cultivada em Portugal. Com aromas florais e bastante frutada, esta uva produz vinhos bom teor alcoólico e acidez reduzida. Seus vinhos são complexos e distintos. Cultivada em regiões diversas do país, como Ribatejo e a Bairrada.

 

 

Encruzado – cultivada principalmente na região do Dão, resulta vinhos elegantes, complexos e de grande longevidade. Considerada pelos especialistas como uma das grandes castas brancas nativas portuguesas.

Muito se discute em Portugal sobre o uso de castas estrangeiras e internacionalmente cultivadas na produção vinícola do país. O mercado de vinhos para o dia a dia normalmente prefere uvas como a Cabernet Sauvignon, cujo caráter já é bem conhecido pelo consumidor comum. No entanto, o consumidor com um nível maior de exigência sabe que a casta nativa apresenta um toque especial aos vinhos do país, e que, aliada ao terroir, a personalidade única de cada uva é que interessa na hora de degustar os sabores e aromas de um vinho exclusivo.

A qualidade das inúmeras castas nativas portuguesa é o principal trunfo do país, que atualmente está entre os 10 maiores principais produtores de vinhos no mundo, e que tem grande parte do seu território dedicado ao cultivo delas.

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